....PANTA RHEI....


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17/04/2006 15:46

enviada por vagabundo iluminado



17/04/2006 15:38
Sapere Aude! (texto lido no programa Panta Rhei-poesiasofia)


Toda ciência é Humana. É essa uma afirmação necessária para despertar os desavisados.Há porém atividades científicas cujo objeto de análise é o próprio humano em sua vida psíquica, social, cultural, política... essas se diferenciam qualitativamente das demais.
Toda categorização e divisão da Ciência em áreas de concentração ,segundo objetos referenciais ,não passa de uma alternativa didática -metodológica eficiente para fins de docência ou para simplificar a pesquisa potencializando a produção do conhecimento na concentração da análise . A Ciência então se divide em compartimentos....Mas, o que é então a ciência antes de sua fragmentação ?
A Ciência propriamente dita é a Filosofia, é ela a ciência humana por excelência . É da Filosofia que nascem todas as definições conceituais que fundamentam a estrutura básica de toda especulação científica particular , assim como a síntese teórica de todo esse conhecimento , aquilo que dirá sobre o sentido e a finalidade das pesquisas científicas ... Por isso há mais de 2600 anos se diz que a mãe de todas as ciências é a Filosofia, não só por uma justificativa histórica de origem, mas por ser ela a base indispensável de toda especulação científica.

Hoje alguns teóricos falam em pós-modernidade , em uma nova proposta paradigmática no campo científico ou em várias propostas paralelas desse cunho, o que soa muitas vezes confuso .Mas podemos sintetizar as tendências identificadas nesse fenômeno cultural-científico denominado “pós-modernidade” em duas fortes posições:

1-Fragmentação relativista: a primeira tendência é identificada com uma ênfase radical em um relativismo teórico-metodológico que duvida da capacidade universalista da razão, acusando-a de histórica e etnocêntrica, fenômeno de uma cultura particular(ocidental) e por esse motivo parcial e limitada, por conseqüência essa posição desconfia da capacidade analítica da filosofia ;O relativismo tão frutífero para a filosofia quando utilizado como recurso metodológico, aqui extrapola e leva a desintegração da Ciência.
Essa tendência têm forte influência sobre disciplinas como a Antropologia Cultural de onde retira a maior parte de seus argumentos , também se fortalece em teorias historicistas e no pensamento restritivo de alguns pseudo-filósofos.
Duvidar da razão é duvidar da filosofia e duvidar da filosofia é duvidar da própria ciência, dessa forma essa posição colabora para a minoração da ciência .É comum entre os indivíduos que compartilham dessa visão a incorporação de elementos de crenças populares , mitos e análises parciais em suas propostas teóricas pretensamente científicas.A racionalidade não tem mais valor absoluto, importa agora a persuasão retórica...tudo é aceitável, tudo é assimilável, tudo é justificável, não há escalas valorativas, toda arte tem sua função e é desejável. Será essa posição um efeito da ideologia capitalista sobre as ciências ? Será uma manifestação de liberdade extrema no discurso “científico”? O que parece é que essa tendência tem como efeitos observáveis : uma fragmentação do conhecimento; limitação da capacidade crítica - racional dos indivíduos restritos a tribalismos, justificação desses tribalismos ; justificação da arte-produto da indústria cultural; radicalização de partidarismos de polarizações sob o único parâmetro de uma capenga ética liberal- cristã cuja máxima é expressa em : “ faz o que tu queres, nada faz a menor diferença...Mas respeite a escolha das demais tribos.Não há beleza, não há verdade , não há ciência ou tudo é beleza, tudo é verdade tudo é ciência.” “O que é humano é a diferença, a multiplicidade a policromia....”o que aparentemente soa até belo e desejável.O problema é como essa dádiva é apresentada, como uma intensificação de sentimentos étnicos e religiosos.
Essa proposta se fundamenta em uma visão distorcida da racionalidade na qual a razão humana é confundida com seus produtos, as teorias, essas sim históricas (confunde-se uma estrutura cognitiva da mente humana com os enunciados que ,através dessa “capacidade-estrutura” ,nossa consciência pode emitir sobre a realidade).Partindo da idéia de que não há mais possibilidade de universalização da razão, conclui-se que não há também mais possibilidade de definir o que é o “humano” para além das nítidas diferenças apresentadas pela diversidade cultural, o que significa dizer que não há mais um conceito de humano além do que é oferecido pela cultura, e há uma infinidade de culturas ,repletas de crenças, que oferecem particularmente suas definições sobre o que é o “humano” assim como respostas a outras questões de suma importância para a manutenção da vida em sociedade, respostas tribais, válidas apenas para cada cultura .Mas o que esses teóricos esquecem é que hoje não há mais culturas-tribos isoladas , vivemos em um aglomerado global de culturas em choque , cuja única base consistente é o “humano”, o ente que produz essas representações . Qual a semelhança entre um índio da Amazônia e um burguês de Viena? Ambos são humanos, podem se compreender como tais , se comunicar mesmo com a limitação da cultura e da língua , suas consciências são humanas, funcionam da mesma forma embora estejam preenchidas por conteúdos peculiares aos indivíduos dado suas experiências de vida diferentes , espaço geográfico que ocupam, sociedade da qual fazem parte.....As diferenças culturais são relevantes sim, mas não vão determinar a existência de duas espécies diferentes!Ambos são humanos, e isso não é a cultura da tribo que vai determinar, só um pensamento filosófico acima disso é que pode determinar o conceito mais plausível de humano identificando esses dois entes diferentes com uma qualidade comum : ser “humano”.

2- A segunda tendência se destaca pela volta as “origens” da ciência. Caracteriza-se por uma proposta de aproximação de todas as áreas de atividade científica rumo a uma inter-multi-disciplinaridade que envolveria também a arte , a poesia, sem porém subestimar a relevância da razão ,seu referencial maior. Representa assim, essa tendência ,um retorno à Filosofia, mas à uma filosofia construída com a contribuição da imaginação poética aliada a racionalidade.Trata-se de uma proposta antiga, de um modelo paradigmático tão antigo quanto a história do pensamento filosófico e que hoje não tem mais a mesma força em um mundo onde o valor de lucro das coisas é o que pesa mais. Hoje não importa o sentido, o porquê do conhecimento, mas sim se esse conhecimento é lucrativo, se através da ciência podemos ou não aumentar a produção e alimentar o mercado voraz .
Mas não podemos esquecer que nossa ação no mundo e a forma como compreendemos a realidade sempre passa por sistemas ideológicos, alguns mais outros menos verossímeis, já que nosso contato com o mundo fenomênico , aqui chamado realidade, sempre passará por representações cuja tendência é se organizarem em uma teia de relações coerentes de conceitos ou noções conceituais , crenças, suposições.... que podem sim ,estarem sujeitas a influência de uma ideologia ou tradição cultural que abraça e pesa sobre o indivíduo imerso na sociedade, na natureza, no mundo. Sendo assim podemos levantar a razoável hipótese , fundamentada em observações históricas, da possibilidade de uma mudança cultural de grandes proporções e relevância significativa , uma mudança na forma das pessoas encararem o mundo e a si mesmas como partes desse mundo, uma mudança enraizada em uma visão filosófica da existência humana.
Sabemos que no denominado “sistema capitalista” o mercado produz a necessidade nos consumidores de adquirirem “tal produto” , o que é feito através de um intenso bombardeio de propagandas sugestivas que sufocam o indivíduo atacando-o por todos os lados, na tv, no rádio, nos jornais, revistas, Internet, nas ruas, nas roupas....são produtos maquiados com promessas de liberdade, prazer, status, força, atração sexual....são idéias materializadas.

O ente humano interage com a natureza (consigo mesmo , com seus semelhantes, com os demais entes orgânicos e inorgânicos) sempre por intermédio de representações que dão sentido a toda informação que a consciência humana é capaz de assimilar por meio dos sentidos do mundo e do próprio corpo do qual é parte . Essas representações vão orientar a conduta do indivíduo frente ao mundo e com relação a si mesmo, como esse ente humano irá se compreender como existente, como irá compreender o mundo no qual está inserido , como irá tratar a si e aos demais, como irá interagir com a natureza. A sociedade-cultura , na qual o indivíduo está inserido, dará sua contribuição , a religião, as teorias filosóficas, as superstições populares, as ideologias políticas, a ideologia que move o mercado e que provém do próprio mercado....
Partindo dessas constatações breves podemos supor a possibilidade de transformação de uma cultura, um conjunto de representações.... As mudanças sempre ocorreram e continuarão a ocorrer em toda e qualquer cultura humana, hoje “cultura global”, caso contrário estaríamos ainda limitados as cavernas! E nem sempre foram as necessidades de sobrevivência que determinaram a modificação cultural, muitas vezes foi apenas o interesse de um indivíduo, ou de um grupo de indivíduos que pela força discursiva ,ou pelo poder coercivo das armas ou pelo poder do dinheiro, ou pelo poder da superstição religiosa, ou pelo poder do carisma, ou pelo poder da propaganda, ou pelo poder da ciência.....Alguns poderes se somam, outros se contrapõem , mas sempre encontraremos exemplos da força transformadora desses “poderes” ,nas mãos de indivíduos, na história humana.


Só a filosofia pode libertar o humano de uma visão limitada e preconceituosa da realidade, pode derrubar as fronteiras simbólicas da tribo, pode elevar o humano a um conceito universal de importância ética! A filosofia é o desenvolvimento de uma qualidade inata a todo ente humano, a razão , com a finalidade de compreender o mundo em sua inteireza, é a busca da verdade.Tarefa difícil, contínua, talvez eterna, mas quanto mais distante estivermos da filosofia mais distante estaremos do tão antigo projeto de elevação humana, o que significa dizer , libertar o homem das correntes que criou para si mesmo e das limitações que a natureza lhe impõem !
É possível esse projeto? Sim! Há meios, o próprio “maldito” sistema capitalista nos ensina. Informação, divulgação do conhecimento, espalhar o conhecimento no mundo, tornar público e acessível esse saber e principalmente a forma de adquiri-lo e construí-lo , a “arte de pensar”...Mas para isso precisamos lidar com o poder, algum tipo de poder digno da filosofia ....poder do discurso, da ciência, da mídia, da política (como arte de bem governar), da educação .... Sim! É essa a volta do iluminismo, agora mais esclarecido. E quem se opor a esse movimento , que expresse então seus argumentos, da única forma válida legitimamente aceitável : racionalmente!


Paulo Vinícius....

enviada por vagabundo iluminado



10/01/2006 01:57


enviada por vagabundo iluminado



10/01/2006 01:34

Novo paradigma....nova proposta.....

A progressiva transformação pela qual o paradigma da ciência moderna vem passando na atualidade reflete uma urgente necessidade de revitalização do conhecimento científico seguindo incitações de uma reflexão filosófica preocupada com a práxis e com o valor e relevância desse mesmo “conhecimento” para a construção de uma realidade social em escala global que ofereça condições propícias para o desenvolvimento das potencialidades humanas, livres da coerção de carências materiais ou tiranias de vontades particulares.
O mecanicismo derivado das concepções metodológicas que orientavam as ciências naturais nos últimos séculos , calcados em uma crença na infalível “perfeição” dos vislumbres matemáticos da modernidade, dá hoje espaço à uma ascensão das ciências humanas dentro da peculiaridade intencional que às orientam, muito mais um conhecer-compreender do que um conhecer-dominar-produzir. A subjugação da ciência em geral, aos interesses do mercado no dito “sistema capitalista” e o grande distanciamento com relação ao “humano” provocado pelas superstições –metodológicas da modernidade que levaram ao desprezo da filosofia em benefício de uma pretensa objetividade mecânica...faz da ciência hoje um títere nas mãos de interesses mesquinhos dos grandes manipuladores do capital, e todo conhecimento e força que a ciência (exatas,humanas,naturais...) pode vir a expressar está fadado à geração de lucro, sendo o resto apenas acidental e desprezado dentro do conjunto de idéias e valores predominantes hoje em todo o mundo.Mas isso tende a mudar, significativas transformações como a aproximação de todas as áreas do conhecimento humano ( todas as ciências) , o intercâmbio de métodos e informações, o reconhecimento do “saber - popular”, a redescoberta da importância da arte para o conhecimento (poesia-literatura,artes plásticas e visuais) demonstra a formação de um novo paradigma, o paradigma “pós-moderno” que anuncia talvez, o retorno da filosofia* como a base indispensável de toda ciência em termos epistemológicos e éticos.
As ciências sociais e humanas re-arquitetadas dentro de uma nova realidade metodológica exercendo uma primazia de interesses sobre as demais ciências e absorvendo dessas todo o conhecimento , toda relevante informação, mais que isso, estabelecendo uma rede de trocas de informação e saberes que tornaria as distinções entre as ciências mera formalidade de classificação bibliográfica , podem dar impulso a uma mudança sem precedentes na configuração sócio-política do mundo dando um sentido mais humano a toda capacidade criativa da tecnologia espantosa que a ciência possa produzir, levando essas descobertas, e o saber acumulado de séculos de reflexão e pesquisa , para fora dos muros das academias e laboratórios.Mas esse movimento epistemológico e político só se manifestará efetivamente no momento em que a reflexão filosófica estendida sobre toda atividade científica se fizer respeitar sobre os interesses do mercado e isso pode ser realizado através das mesmas ferramentas de mídia que o sistema oferece, pois o estabelecimento de uma rede de comunicação que leve esses saberes à coletividade é indispensável para a realização dessa proposta....

Paulo Vinícius
(Professor de Filosofia;Acadêmico de Ciências Sociais -UFSM)

enviada por vagabundo iluminado



03/01/2006 03:11



enviada por vagabundo iluminado



28/12/2005 05:59


enviada por vagabundo iluminado



26/12/2005 02:47


enviada por vagabundo iluminado



26/12/2005 02:44
só o silêncio da noite acompanha meu ciclone,
silêncio sempre quebrado ,estilhaçado pelos sussurros de meus pensamentos inquietos.....

malditos não dormem!


um copo de sangue, barato, avinagrado,
descansa seu azedume marcando um círculo de horror sobre a folha alva......

branca, pálida....


malditos não dormem!


uma porta range protestando a insônia dos incômodos.....


passos pesados ,
percussão repugnante
quebrando o encanto da exaustão ,
tranze,
embriagues de fantasias acorrentadas pela razão, que diz não, tudo é vão,
vomitando palavras a luz de uma vela

na escuridão......

malditos não dormem!

p.vinícius
enviada por vagabundo iluminado



24/12/2005 18:06



enviada por vagabundo iluminado



23/12/2005 04:37
http://www.orkut.com/community.aspx?cmm=1930153
enviada por vagabundo iluminado



09/12/2005 04:49
PANTA RHEI-GRUPO DE PRODUÇÃO E PESQUISA....
-O “Logos”-Grupo de Produção e Pesquisa de Filosofia e Ciências Sociais, é a mais nova iniciativa do Projeto Panta Rhei, será um espaço aberto para estudos aprofundados de temas de Filosofia , Antropologia , Sociologia e Ciência Política. O Grupo se dedicará a produção acadêmica de textos nas referidas áreas e a elaboração de projetos de aplicação objetiva dentro e fora da universidade construídos sob as diretrizes de uma rigorosa reflexão filosófica direcionada à práxis.
Para a concretização do projeto , já foi solicitada uma sala na CEUII-campus.
Os interessados em participar do projeto podem entrar em contato pelo e-mail:pantarhei@bol.com.br ou pelo telefone:55-91 47 54 13

paulo vinícius
enviada por vagabundo iluminado



11/11/2005 04:44


enviada por vagabundo iluminado



11/11/2005 04:36


enviada por vagabundo iluminado



11/11/2005 04:29
Gênese de uma estação



Entre as brônzeas folhas
Dos plátanos abraçados,
Sonha, o espírito gelado
Da natureza imortal

Toca o sol, com lábios ardentes,
As folhas douradas , levemente,
Contra o sopro-frio invernal,
Despertando a fêmea divinal
De moroso sono inocente

Abrem-se olhos,
Lentamente,
Movem-se, intensos desejos despertos,
Nasce cataclisma paixão,
Cai , pesada em dia, escuridão
De tempestade infernal,
Levemente

Voam Valkírias em torno do fogo,
Do raio de nuvens, cores de cromo,


A dança em honra à vida,
Louva à Gaia Imortal
Renascida


Paulo Vinícius

enviada por vagabundo iluminado



11/11/2005 04:28
Breve síntese de alguns fatos marcantes do século XIX....



Os séculos XVIII e XIX representam um período de intensa expressão de criatividade artística e filosófica da cultura ocidental , o século XIX, em especial, pode ser qualificado como o auge e ao mesmo tempo ,em suas últimas décadas, o declínio desse movimento criativo.

Encontramos no século XIX o desenvolvimento e a legitimação de idéias que tiveram sua gênese no anterior século das luzes ,carregando o impulso poético do romantismo.Esses sistemas filosóficos enfrentam, nesse período,além da necessidade autocrítica (inerente a toda teoria , supostamente racional) também a contraposição intensa de novas concepções teóricas sobre o fazer científico , o que também é nítido na arte em transformação,uma transformação que, podemos supor ,segue uma mudança no conjunto de representações morais e intelectuais da época, podendo ser identificada também, como um reflexo do próprio impulso criativo, que se destaca nesse momento histórico em outras áreas da atividade humana.

As mudanças sociais e as modificações na estrutura política e econômica de grande parte da Europa, são fatores de grande relevância para a análise desse período, muitas são conseqüências de transformações históricas anteriores, como a intensificação da produção industrial nos moldes do sistema capitalista que a partir da chamada revolução industrial inglesa (século XVIII) mostra-se ao mundo como uma grande força produtora de bens e ideologias. Mesmo a ciência rende-se a essa vontade, simbolizada no capital.

O capitalismo transforma e cria uma nova arquitetura de representações conceituais,éticas,estéticas que irão orientar e induzir a ação humana em todas as áreas de criação intelectual e artística.

Mas , distanciando-nos de uma análise que poderia ser aproximada do materialismo histórico dialético, que identifica a gênese de todas s mudanças culturais nos modos de produção que regiram as sociedades humanas, reduzindo dessa forma a reflexão a uma análise que prioriza a economia ;queremos destacar algumas características importantes dessa época de uma forma descritiva e descompromissada até por uma questão de exigência sintética.



-Podemos apontar uma série considerável de teorias que apresentaram uma relevância estrema para a história das ciências (exatas,naturais e humanas) ,originárias no século XIX, como por exemplo a teoria da “origem e evolução das espécies” de Charles Darwin que ,ultrapassando os limites da Biologia ,acabou por influenciar indiretamente outras ciências,como a Antropologia e a novata Sociologia que no século XIX se apresenta como disciplina independente de outras ciências humanas.

Na Antropologia, o Darwinismo deu origem ao evolucionismo cultural que logo sofreu o embate de outras correntes teóricas , principalmente no final do século . Essas novas teorias sustentavam um relativismo metodológico(muitas vezes radical) apoiado em algumas vertentes do historicismo , rechaçavam toda especulação evolucionista,taxando os postulados lineares e hierárquicos ,evolucionistas, de etnocêntrismo.



Os rápidos desenvolvimentos tecnológicos ,invenções como a máquina a vapor ,telefone,iluminação urbana,etc...aceleram mudanças culturais.Auguste Comte funda a escola positivista , que pretende estender uma visão filosófica, calcada no modelo das ciências exatas adaptadas ao estudo e organização do homem em sociedade tendo como objetivo principal uma idéia de progresso ,por meio da aplicação do conhecimento cientifico à práxis social.



Na filosofia, a crise do hegelianismo enfraquece as pretensões de todo pensamento sistemático.O idealismo absoluto identificado por seu criador como a síntese da filosofia ,abraçando a totalidade do conhecimento humano, após a morte de Hegel, é combatido com veemência .Historicistas questionam a pretensão do sistema hegeliano de centralizar o conhecimento histórico em interpretações de uma visão filosófica a qual acusam de parcial e peculiar de uma época e cultura (acusação típica do relativismo), assim como a validade do método dialético empregado por Hegel .Na filosofia, Artur Schopenhauer , com a sua teoria ontológica da vontade de “O mundo como vontade e representação”, critíca o racionalismo radical de Hegel atribuindo ao mundo uma essência irracional, a vontade .A suposição schopenhauriana é seguida por F.Nietzsche que opondo-se ao próprio mestre empreende uma desconstrução crítica dos valores que sustentavam a cultura ocidental, uma “genealogia da moral”(título de um de seus livros mais importantes), tendo como referência a diferenciação entre vontade de potência e vontade de nada.



A fenomenologia também é desenvolvida no século XIX, a partir da filosofia transcendental kantiana e mesmo hegeliana(o livro mais importante de Hegel é intitulado “Fenomenologia do espírito”).Husserl formaliza as bases para o método fenomenológico que irá no século XX influenciar Heidegger e em seguida o existencialismo sartreano.



Como uma reação ao capitalismo que fundava uma nova e injusta ordem social , onde uma divisão de classes era arquitetada,surgem uma série de movimentos sociais de esquerda que se auto-denominam revolucionários, em benefício de uma massa explorada , entre eles podemos destacar o anarquismo e o marxismo.

O anarquismo de Proudhon e Bakunim , pregava a dissolução imediata do estado burguês e conseqüentemente a organização de uma sociedade sem divisão em classes ou estamentos.Os anarquistas, pela própria qualidade de suas idéias , acabaram por se oporem ao socialismo marxista, já que esse último pregava a tomada do estado pelos proletários para a instauração de uma ditadura popular, através da qual seria então possível futuramente o comunismo.

As acusações anarquistas ao marxismo, que apontavam um novo regime totalitário e estamental(comandando por uma elite -os membros do partido comunista.) acabaram por ser confirmadas, e logo no século XX podemos observar ditaduras repressivas sustentadas pela ideologia marxista como URSS,China, Cuba,Coréia do Norte...

O marxismo - que se destaca também como uma teoria sociológica – surge de uma inversão da dialética sistemática hegeliana, trocando a égide da razão universal pelo predomínio da matéria sobre a consciência humana.Influenciando desde a filosofia à arte. O materialismo histórico dialético pretende desvendar os segredos da estrutura da sociedade ocidental, desmascarar o capitalismo, propondo a alternativa do socialismo para se alcançar o “paraíso” na Terra , um mundo sem lutas de classe , onde as divisões dos produtos do trabalho comum seriam igualitárias.Tal transformação seria possível através da revolução que quebraria o modo de produção capitalista e que já seria previsível pela própria lógica histórica do sistema.



Podemos identificar uma intensidade poética muito acentuada na maioria das idéias elaboradas no século XIX , fruto do fervor volitivo do movimento romântico que envolveu arte, filosofia,política.... marcando uma época de agitação criativa na história humana.





Paulo Vinícius

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 05:18


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28/10/2005 04:55

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 04:53


Um bêbado em Paris,
Cantando em pleno século xix,
Uma sombra dança no chafariz,
É o corpo bêbado que se move



Canta Baudelaire,
Canta Rimbaud, Paul Verlaine,
E canta uma canção besta sobre o Sena,
Canta o sonho de Mary,
Dança e baba como lesma....



Frígida ,reluz a grande Eifeel ,
Imponente gigante ,
fêmea de aço,
Rindo, rigidamente fria,
do apaixonado bêbado, qual palhaço,



E logo cessa a música e a dança,
Logo a tristeza lhe bate à cara,
A melancolia lhe espanca,
Trazendo à tona o mal que guarda



Miserável embriagado,
Poeta do lirismo amargo,
Doente, demente , indecente,
Pária ,coração amargurado,


Calado se fez seu êxtase ilusório,
seu ego confortavelmente narcotizado,
calado seu espírito ordenhou seu próprio pranto,
em silêncio ,
suicida apaixonado


Tocou as frias pernas da gigante,
Subiu seu corpo em passos largos,
Cambaleante-mente, em delírios
Até o alto,

Um último salto!!!


No topo,
Tonto,
Estômago a embrulhar,
Na mais sombria e alta solidão


Sobre a cidade iluminada, a náusea,
Vomitando ao ar
sua paixão


















p.vinícius




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28/10/2005 04:42

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 04:40
AOS CATEDRÁTICOS


DOUTORES DE CAUSAS PUERIS,
PORCOS VAIDOSOS,
O QUE FAZEM VÓS FANTASIADOS DE SÁBIOS,
NÃO SÃO DIGNOS DO NOME DE MESTRES,
DIFAMAM E PROFANAM A PALAVRA DOS VERDADEIROS PENSADORES,
MANCHAM, PISAM, DETURPAM AS IDÉIAS PROFUNDAS,
TRANSFORMANDO TODA VERDADE EM ENGODO DE FORMAS VAZIAS

SEUS MEDÍOCRES MATEMÁTICOS,
QUE O NOJO DO MUNDO CAIA SOBRE VÓS,
VÓS QUE COM ESCÁRNIO FINGEM AMAR SOFIA,
QUE A IRA DOS MISERÁVEIS LHES ESMAGUE,
QUE TODA DOR DO MUNDO QUE PODERIAM TER ILUMINADO
DESTROCE SEUS CORAÇÕES DE GELO, GELO DE ÁGUA POLUÍDA,
IMUNDOS, SIM, VÓS SOIS OS VERDADEIROS ESCRAVOS,
POIS ESCOLHERAM A ESCRAVIDÃO POR LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE
SE É QUE É POSSÍVEL REMETER A VÓS ESTE SAGRADO NOME
VONTADE,
NÃO!
NÃO SÃO SUFICIENTES HOMENS PARA TÊ-LA


P.VINÍCIUS



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28/10/2005 04:39

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 04:38

presos no abdômen da empoeirada estrada,
estagnados como pedras, sonhos inertes,
tocados pelos raios impiedosos do sol
que suas peles sugam,


envelhecem.......


sem nunca terem vivido
uma única vez.....


morrerão como estimativas sombrias,
vítimas da matemática apatia,
levando a bandeira da humanóide legião,
medrosa , como todo fraco primata,
que afoga sua própria paixão
no esgoto de crenças pueris,
idolatrando o gosto fel
amargo veneno que lhe mata,
sob o jugo indiferente do céu,
em morosas doses febris...........



paulo vinícius














enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 04:36

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 04:32
ESCALO MINHA SOLIDÃO ATÉ O TOPO
AO CENTRO DO BURACO NEGRO,
MINHA ESTRELA DO AVESSO,
E ME PERCO NO SILÊNCIO,
DA NOITE QUIETA,
QUE VELA A GÊNESE,
O COMEÇO DE MINHA TRAGÉDIA


CAI DO TOPO, ANJO LOUCO....
CAI NA TERRA POLUÍDA,
NA LAMA, MISÉRIA HUMANA,
NO PUS, FERIDA ,
MORDIDA DA SERPENTE,
DOLORIDA E QUENTE
COMO INFERNO,
DEPRIMENTE,
EM FOGO DE PAIXÃO ARDENTE
E GUARDA TUA IRA ENTRE OS DENTES.....
DA VIDA EM FRENTE
PARA SEMPRE
AMÉM...........
P.VINÍCIUS

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 04:29

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 04:15
CABARÉ LATINO


AMÉRICA, MINHA BELA PROSTITUTA,
AMO-TE AMÉRICA
TEU CORPO DOCE, EMBRIAGANTE

ENTRE TUAS COXAS
CORRE A FONTE DA VIDA....
E A VIDA BUSCA PRAZER....

AMÉRICA!
ABRE AS PERNAS PARA O MUNDO
TODOS TE DESEJAM NUA

AMÉRICA, MINHA BELA PROSTITUTA,
GUARDA TEUS AGRADOS, TUAS JÓIAS FALSAS,
GUARDA EM TEU COLCHÃO PODRE E MANCHADO
NA BABA DOS MISERÁVEIS

POIS TUA VELHICE NÃO SERÁ LEVE....
POIS TUA VELHICE NÃO SERÁ LEVE....










PAULO VINÍCIUS



enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 04:12


enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 04:08

sentado em uma mesa de bar,
tábua secular, rígida , escura,
altar de sacrifícios banais


um copo de vinho sangue,
aquece corpo impaciente,
ferve a carne interior......
sem atingir o cerne da consciência ,


sóbria demais para cantar


ao lado do fogo,
onde árvores mortas crepitam,
estalando à dança das chamas,
quentes , mas sem ferir a armadura,
onde se esconde um nobre acuado,
enredado nas teias de suas próprias desventuras,


arquiteturas conceituais


idear mais pilares frágeis
para novos labirintos


sem saída,
sem murada,
sem ponto de partida......


para manter o movimento......


roda insone de sansara.....


sem partida,
sem murada,
sem ponto de chegada


p.vinícius

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 04:08

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 04:00
Grupo de Estudos de Filosofia e Ciências Sociais
(debates filosóficos -explanação e discussão de temas de Filosofia ,Antropologia,Sociologia ,Ciência Política)


todas as quintas feiras às 14h na sala 102 do CCSH(antiga reitoria)

-Introdução ao pensamento filosófico / Filosofia como “arte de pensar”/ “Qual a intenção da Filosofia ?”.
-Ontologia (introdução à ontologia ; as teorias pré- socráticas; Plotino e o Uno; concepção platônica de mundo; Schopenhauer e a Vontade)
-Filosofia da natureza (homem e natureza) / -Antropologia Filosófica (definição do “humano”)
-Filosofia da religião (abordagem filosófica da religião ; história das grandes religiões ocidentais e orientais)
-Ética (Kant; Schopenhauer ;Aristóteles)
-Estética (o movimento romântico na filosofia,poesia e na música (século xix) ; “anos 60,70 e 80” - retorno e ocaso do romantismo) ; “A arte hoje”.
-Filosofia da vida (Nietzsche -“Genealogia da moral”; “O anticristo”; “Assim falou Zaratustra” ; Artur Schopenhauer-“O mundo como vontade e representação”)
-Existencialismo (a literatura existencialista :Camus e Sartre; uma nova visão do existencialismo)
-Filosofia e Literatura (A.Huxley –“Admirável mundo novo”, “As portas da percepção”; H.Hesse-“O lobo da estepe”, “Sidarta”; J.Kerouac –“Os vagabundos iluminados”)
-Psicologia (a psicologia como disciplina filosófica ; a consciência humana ; a psicanálise pós-freudiana – Kierkegaard e a psicologia)
-Antropologia Cultural (relação entre etnias e culturas; a cultura global)
-Ciência Política (teoria das elites; anarquismo ;marxismo)
-Sociologia (algumas idéias sobre “a sociedade”)



Professor Paulo Vinícius
(licenciado em Filosofia pela UFSM /acadêmico de Ciências Sociais -UFSM)

contatos :
fone: 55- 91 47 54 13 e-mail:pantarhei@bol.com.br

Projeto Panta Rhei

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 03:54
no escuro,
atrás de uma brilhante tela....
a percussão, no teclado,
acompanha o suicídio das gotas de chuva
que ávidas por calor ,se entregam à terra ....


uma bela estação,
para por o pé na estrada
se coragem tivéssemos (nós....eu e meus eus)
para, sem grana ,enfrentarmos a tragédia, a tragicomédia,
como vagabundos iluminados
na embriagada busca de Delfos-oráculo
que a própria natureza dispôs como um livro
em nossos sonhos,
só aberto
se nossa própria carne
amarmos


enquanto não chega Prometeu , promessa de nosso eu

encantado qual Édipo,
nas imprevistas tramas de um destino fel
a madrugada passa, e vou com ela
na lama do tempo afundando.....................
alternando inferno e céu




Quando o louco chorou....
Quando o louco chorou?

a cura não vingou!
Um uivo espantoso, soou
curioso...
um sábio do ente, doente ou como doença?
aborta sobre a filosofia a razão ,
já que a necessidade de paixão
esmagou seu ser humano....

uma lembrança de amor,
memória é sua dor

quando o louco chorou......



enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 03:25
como está valkiria, veio buscar minha alma?
tome-a em pedaços...

guarde a parte que vaga,
contra o gelo da noite,
sonâmbulo vulto sem rumo


rondarás em trevas
atrás de pedaços de mim,
andarás no frio
sob o que não acaba


as luzes que cortam o céu te farão companhia
lembranças - volições,
oníricas ilusões,
castelos partidos,
pretéritas miragens,
ruínas de velhas prisões


o templo da paixão já se desfez,
e suas pedras agora,
rolam no caminho
obstruindo passos pesados



explode em meu peito
a ira,
de uma legião de poetas mortos




uma crua indescritível raiva de viver!


como está valkiria,
entorpeça-te com minha alma!



p.vinícius


enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 03:24

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 03:21
sua estúpida predominância no erro,
faz –me pensar que este é parte de ti,
consciência maldita!


função cerebral,
orgânica até a miséria,
atividade elétrica,


energia – matéria



só tens de divino o absurdo de ser,
existir,
persistindo sempre e sempre “marasmaticamente”
no enfado do tempo,
até desaparecer como um sopro, em um suspiro,
como qualquer imunda criatura
que rasteja sobre a terra
deixando, alimento a novos aglomerados de vida,
pedaços do que foi
em pó, carcaça e fantasia...


como qualquer imunda criatura
em pó, carcaça e fantasia.......


p.vinícius











embora todas as utopias que guardava
tenham se atirado no precipício, em era uma vez,


mesmo que o romantismo,
toda beleza de novalis,
goethe, mendelssohn , byron.........
adormecido jaz, na estupidez do mundo.


um líquido vermelho corre na estrutura do carbono,
um eu move seus músculos,
os raios caem em tempestade






tannhäuser ainda toca....................
e a grande rebelião espera!




p.vinícius





















heráclito


nos jardins de éfeso,
entre as flores em movimento,
obscuro poeta do fogo
contempla a vida a dança- frenética,
sussurrando como o vento
a beijar as asas de uma borboleta


atômicas idéias azuis
brotam de algum lugar entre seus nervos,
fluem como o mundo,
exatas como o logos ,
grande ser que corre
rumo ao infinito


desperto em seus olhos,
tem seu nome humano
para a eternidade da história
do amor a sofia,
ao que persiste em existir



p. vinícius

















sonhos de uma noite de verão
no gelo invernal , acossam

uma imagem perfumada,
clara , aurora boreal
pirata a tomar minhas meditações
escarnecendo
de minha amante fiel
, solidão ,


enquanto a noite cai morrendo


pés delicados marcam neve cortante
acumulada nos recantos da morada
onde se escondem
meus sentimentos mais inquietos


embalados pelos cortes bruscos de um
violino afiado
serrando ao meio,
dois hemisférios de meu corpo

um pé no inferno gelado
e as teias de pensar
enroladas no passado
em nós aglomerados
tentando desvendar um devaneio,


velho navio naufragado



p.vinícius

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 03:21

enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 03:19




corre, corre como louca,
nudez ao frio

corre ,
pisando em vidro
entre cactos envenenados
só por mero desafio

foge, medrosa e tonta ,
para a fronteira do “ nunca mais será como foi”
e conta quando chegares ao destino
tuas feridas
para gozar da vida.......

só para gozar da vida.....



p. vinícius









nem mesmo como uma rosa nas mãos
protegido por uma redoma de vidro
posso deixar a raiva passar........
andando entre a multidão que definha
de fome , sede , ignorância
sob um puro céu de primavera


miséria,
deusa cruel,
sacrifícios a ti rendidos são todos os dias
holocaustos sem fim em teu altar
a terra........


a rede causal rosna
uma profecia maldita


p.vinícius











a tradição histórica
de uma maldita embriagues
sempre viva na memória
urrando horrenda sordidez

não vê acima
a ontológica pulsão que não acaba
mas na crosta terrena
miséria a cada olhar-se

aprofundando a velha chaga


lapsos de prazer na suspensão do realismo
péssimo , odiento
porém ,infelizmente,
sincero ,
lívido


- por quê não berra
ordinária irrisão de todo ente ,
cruel para si
flagelando a própria carne que anseia persistir


faminta de prazer
de qualquer paragem
nas cercanias de seu núcleo
entregue a ilusão da liberdade


sabe de si desejando esquecer-se
desesperadamente,
correr o mais longe das próprias raízes
envenenadas,
secamente
dementes


arranque tuas entranhas com unhas e dentes
extravasando de teu existir nefasto

viva maldita !
viva ou entregue tua morada
para o nada


viva maldita
viva ou entregue tua morada

devorando o tudo ou enterrada
no vazio
como a mente quer ao corpo dominar
para sempre
ou nunca mais.........

para sempre
ou nunca mais.........

persistindo em fúria
ou como a frágil flor em neve fria,
acabar




p.vinícius








enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 03:18


enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 03:18

















não voltarás
nunca mais,
és agora mais um fantasma
assombrando minha alma
vagando em meus sonhos sem sentido
torturando minha consciência miserável

preso como um déspota em sua fortaleza
perseguido por sombras do passado
silhuetas das vítimas de sua tirania,
sou eu



guardando as pegadas do efêmero ,

“o movimento engole a matéria”


e o sopro do tempo devora a vontade o próprio tempo



guardo, só, uma imagem , névoa ..........
guardo, como minha vida


guardo como minha vida

para sempre
até o fim ,
à dissolução de meu ser



p.vinícius





naquelas noites andava ,
apenas andava
carregando seu mundo confuso
como o último de uma espécie extinta


nas ruas procurava pedaços de si
sentidos para manter a sinfonia.....

tocava,


tocava sua alma
ferindo a frieza das vidraças
que escondem mundos
que não querem ser descobertos


noites, madrugadas.....


frio



em toda manifestação humana
um abismo se estendia
diante de seus olhos


alguma semelhança ,apenas forma frágil
não há parentesco entre estranhos



tocava sua alma
naquelas longas noites

p.vinícius


enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 03:06


enviada por vagabundo iluminado



28/10/2005 02:48


A arte de pensar...


Filosofia (do grego; “amor à sabedoria”).

A filosofia - como atividade de reflexão – tem como compromisso o aprofundamento das possibilidades existenciais do “ ser humano”, sendo ela mesma, um esforço da consciência humana no exercício de - por intermédio de uma disciplina de orientação racional - compreender a si e ao mundo (o homem e a totalidade da qual é parte ciente).
A razão, indispensável para o pensamento filosófico, pode ser definida como: a capacidade reflexiva da consciência humana , através da qual esta pode melhor compreender os movimentos regulares e irregulares dos objetos no mundo em sua imaginação e memória e em seu corpo psicofísico ,analisar , encontrar semelhanças e diferenças entre os entes e defini-los conceitualmente - onde se inclui um olhar para si mesma...(a consciência definindo-se por meio da razão) .Tal capacidade dá-se apenas em movimento, segundo certas regras fundamentais implícitas no desenvolvimento do ato de pensar , quais sejam : ligar sempre todo particular a uma representação de universal; todo individual a uma representação da totalidade e vice versa, (dependendo do objeto de investigação) ; ligar toda especulação teórica a referentes empíricos que por sua vez estão relacionados com outras noções conceituais conhecidas e claras na consciência , seguindo as exigências do princípio de não contradição .
Toda essa rede conceitual está aberta a reformulação constante segundo a coerência da análise racional crítica .
Esboços de noções conceituais , ou seja , as idéias ainda não transformadas em conceitos, são moldadas em um processo de comparação com a rede conceitual da qual se espera recíproco ajuste lógico. Caso essa combinação não aconteça, uma falha é anunciada no processo. Tal alerta pode exigir a reformulação da rede de conceitos tomados como referência (todos ligados direta ou indiretamente entre si) ou uma nova elaboração mais aprofundada do que se pretende esclarecer.

O conceito de consciência -ao qual atribuímos a qualidade de sujeito da atividade filosófica- pode ser descrito sinteticamente como : a qualidade ontológica do animal humano ciente de sua própria existência e de sua própria ciência (no sentido de saber algo, sentir algo....) de existir e seus respectivos estados sensíveis em relação com o outro ( outro semelhante; objetos; o mundo como um todo;o ambiente; representações...).Uma das peculiaridades da “consciência humana”é sua capacidade de criar representações de “mundo”, uma idéia do universo.

Partindo desses pressupostos podemos nos referir a filosofia como uma intencionalidade implícita no uso da razão.Essa arte reflexiva , identificada na história do pensamento filosófico (produto da filosofia e não a própria) , na manifestação expressa do exercício racional de indivíduos dedicados a um pensamento dirigido pela mesma necessidade que a define (a filosofia), apresentou-se , e apresenta-se, como uma ação reflexiva comprometida com o humano e dirigida à compreensão da realidade (que inclui o homem) e sua verdade.É um fato histórico que aquilo que sempre foi qualificado como reflexão filosófica, desde os primórdios do pensamento pré-socrático , na antiga Grécia, seguiu essa intenção, embora tenha se apresentado dentro de roupagens diversas.

As teorias são históricas , mas não a filosofia e a razão (que está na base de sua definição) .

Descartando-se a intenção da atividade filosófica e a razão que a orienta , a filosofia torna-se nula.

Podemos ainda falar em filosofia como um posicionamento da consciência humana diante da realidade (conjunto de fenômenos que se apresentam ao ente humano e que se tornam objetos das definições empreendidas por sua vontade manifesta) um “estar” no mundo caracterizado pela dilatação intencional da capacidade racional ,direcionada à compreensão do ser e de manifestações particulares do mundo fenomênico (vontade de saber ontológico) ,assim como -seguindo uma preocupação prática- um agir com fins de transformação da mesma realidade ,de acordo com as possibilidades identificadas pelos trabalhos da reflexão diante dos dados manifestos à consciência (vontade ética, e vontade estética) .


O espanto diante do aparentemente comum e banal é um impulso importante para um movimento reflexivo de caráter filosófico, um olhar de estranhamento “como se fosse a primeira vez”, é o ponto de partida da filosofia.
Amante da filosofia é aquele que busca a verdade , independente da beleza ou fealdade que suas pesquisas possam revelar pelo caminho e sem render-se ao temor que inspira a grandiosidade desse projeto, comparável ao desejo de abraçar o infinito. O papel desse “estranho”na polis é espalhar a dúvida, incitar a reflexão, despertar o espanto. Esse ser que aspira conhecer os fundamentos do Universo é o mesmo que , ao se deparar com aquilo que identifica como aparente falha (na natureza) ou injustiça (nas tragicomédias humanas) , sente-se na obrigação de ultrapassar o erro, no esforço de construção de uma teoria ética , ou de um sistema ideal de governo, por exemplo.



A reflexão filosófica pode ser direcionada para áreas diversas ,denominadas de acordo com o objeto no qual se concentra o pensar filosófico.Assim encontramos disciplinas como:Filosofia do Ser (Ontologia); Teoria do Conhecimento; Ética; Filosofia da Arte (Estética);Filosofia Social e Política;Lógica;Filosofia da História ;Filosofia da Natureza;Antropologia Filosófica;Filosofia da Ciência;Filosofia da Religião;Psicologia filosófica ; etc...Sem nunca perder-se a intenção do movimento reflexivo caracteristicamente filosófico.

Aos produtos da reflexão filosófica ,sistematizada, chamamos “teorias”.As teorias não são “a filosofia”propriamente dita (pois essa é atividade de reflexão), mas resultam do pensar filosófico , são históricas e abertas a crítica podendo ,porém , influenciar o pensamento filosófico em todas as áreas de sua abrangência.Cada teoria em particular, destaca-se peculiarmente - além da formalização sistemática- , por seguir uma ou algumas idéias (hegemônicas dentro do sistema) originadas de um movimento culminante do pensamento racional da consciência que a expressa . Dessa forma temos algumas teorias que originaram , na história da filosofia , grandes movimentos filosóficos, muitos dos quais se estenderam para outras áreas da atividade humana( na teoria política, na arte, nas ciências...), por exemplo: “O idealismo”; “O Platonismo”; “O Estoicismo”; “Epicurismo”; “Existencialismo”; “Materialismo histórico dialético”; “Empirismo”; “Positivismo”; “Filosofia da Vida”; etc...

É importante destacar o papel unificador que a filosofia exerce na condensação de saberes produzidos originariamente por ciências diversas.Hoje alguns pensadores apostam que o futuro das ciências , cada vez mais próximas , é a revitalização da filosofia

Tomando o homem como um “ser em construção”, um animal dotado de uma capacidade racional a qual não expressa adequadamente e de impulsos naturais dos quais em sua maioria não tem conhecimento e aos quais reprime de forma ineficiente , algumas vezes desnecessária -um ser ainda muito ignorante de si mesmo, mas dotado de um potencial assustador, encontramos na filosofia a manifestação de uma vontade de superação da espécie no reconhecimento de suas fraquezas e possibilidades.





Paulo Vinícius (Filósofo)


enviada por vagabundo iluminado



16/08/2005 19:03
participe das comunidades: poesiasofia@grupos.com.br
e Panta Rhei-Poesiasofia (no orkut)
enviada por vagabundo iluminado



16/08/2005 17:18

enviada por vagabundo iluminado



16/08/2005 17:14
Panta Rhei no Diário de Santa Maria .
Reportagem especial (dia 16/08/2005 no caderno Diário 2)apresenta o programa como “ a representação de um movimento de revitalização da filosofia em Santa Maria”.




enviada por vagabundo iluminado



16/08/2005 16:44

enviada por vagabundo iluminado



16/08/2005 16:42
....Panta Rhei-Poesiasofia....


Panta Rhei: do grego: “tudo flui”. Máxima do pensamento de Heráclito de Éfeso (filósofo da natureza....que acreditava que o mundo era organizado por um “ logos universal” em movimento permanente seguindo a lei dos opostos - tudo e nada, bem e mal, vida e morte...)


-Panta Rhei – Poesiasofia (....música – poesia – filosofia....)- a mais de dois anos na grade de programação da rádio UNIVERSIDADE 800 AM (todos os domingos às 17:30 h )- , representa a concretização da intenção comunicativa do “projeto Panta Rhei’ o qual teve início no ano de 2003 quando o então acadêmico dos cursos de Filosofia e Ciências Sociais , Paulo Vinícius N.Coelho (hoje, professor de Filosofia) ,decide levar a prática o desejo de exteriorizar ,para além das salas de aula, a Filosofia - como atividade de reflexão - expressa segundo as formas estéticas de uma poesia preocupada com a realidade das condições existenciais humanas , desperta para a crítica criativa sobre os valores vigentes no ambiente sócio – político - cultural “ no qual vivemos atrelados”, e principalmente preparada para incitar esta atividade reflexiva para além dos muros da universidade.
- Lançada a idéia original, o projeto contou com a adesão do acadêmico de Artes Visuais-UFSM , Mateus Carrier , dos acadêmicos de Ciências Sociais-UFSM , Mateus Romanini e Uiliam F.B, do acadêmico de Engenharia Florestal-UFSM , Cláudio Homerich , e o apoio do professor Dr.Noeli Dutra Rossato do departamento de Filosofia –UFSM ;
_-hoje o programa é apresentado pela acadêmica de Psicologia –UFSM , Mariel Rosauro Zasso e por Paulo Vinícius.

-Além da exposição de textos com ênfase à poesiasofia (alternados com músicas selecionadas entre os melhores compositores da música erudita , popular e das melhores bandas do rock internacional (progressivo,hard rock, metal) ),o programa abre espaço para a divulgação de trabalhos e idéias de pensadores e artistas de destaque em Santa Maria, através de entrevistas e debates abertos a todos os interessados, e a realização periódica de eventos artístico-culturais como “A Noite de Sofia” (em suas duas edições nos dois semestres de 2004 em parceria com o DCE-UFSM- gestão “roda viva”) , a “Primeira mostra experimental literária”( na casa dos estudantes-CEU-centro em 2003) , o “Sarau Arte Rock” (na Casa de Cultura de Santa Maria) e o “Sarau no Coreto”(na praça Saldanha Marinho) onde são expostos trabalhos de poetas ,filósofos , artistas plásticos e shows de bandas locais .

-Os textos e idéias ,construídas nos debates promovidos pelo programa, se estendem a um grupo de discussão na internet pelo e-mail poesiasofia@grupos.com.br ; pelo blogger WWW.sofia.blig.ig.com.br e uma comunidade no orkut (Panta Rhei-Poesiasofia). O e-mail do programa é pantarhei@bol.com.br .


Paulo Vinícius – Coordenador do projeto ....Panta Rhei....

enviada por vagabundo iluminado



16/08/2005 16:32

enviada por vagabundo iluminado






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